Sexta-feira, 10 de Junho de 2011

Aprenda a poupar nas compras de supermercado



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Os conselhos de três gerações: marcas brancas, visitas a vários supermercados e compras pela internet.


Em alturas de crise, a palavra "poupar" ganha nova dimensão. Uma simples ida ao supermercado pode representar uma verdadeira dor de cabeça para a maioria dos consumidores portugueses, tendo em conta que o orçamento familiar está cada vez mais asfixiado.

No final de 2010, um estudo de mercado elaborado pela Nielsen indicava que 79% dos portugueses se preparavam para alterar hábitos de compra para poupar nas despesas. Face à quebra do poder de compra, os portugueses multiplicam estratégias para pagar menos pelas coisas que há um ano estavam mais baratas. O i falou com uma avó, uma mãe e três jovens, que partilham dicas na ida ao supermercado.

SEM MARCA Laura deixou de comprar na mercearia da rua onde vive há 61 anos para se render às grandes superfícies. Só aderiu às marcas de distribuição - mais conhecidas por marcas brancas - há um ano, quando percebeu que o sumo mais barato era "igualzinho" ao que comprava. Agora é fã de quase tudo de marca branca. "De há um ano para cá, noto subidas nos preços sempre que vou ao supermercado. É evidente que acabamos todos por comprar destas marcas."

Laura não é um caso isolado. Em 2010, a maioria dos lares portugueses (99%) consumiram produtos de marca branca. Segundo um estudo da KantarWorldPanel, a quota destas marcas cresceu 9,5% já no primeiro trimestre deste ano e atingiu 37% do total do grande consumo.

Nesses três meses, os preços dos bens de grande consumo aumentaram 0,8%, mas o volume de compras caiu. Ou seja, as pessoas passaram a comprar menos e optaram pelos produtos mais baratos. Segundo as contas da Associação de Defesa do Consumidor (Deco), optando pelos produtos mais baratos pode poupar até 40% no valor gasto nas compras. A Deco chegou também à conclusão que, entre os produtos analisados, 70% dos preços mais baixos estavam nas marcas de distribuição.

Laura não sabe dizer exactamente quanto poupa ao preferir a marca com o símbolo da distribuidora, mas afirma que, muitas vezes, estes produtos têm metade do preço dos que consumia anteriormente. Entre estimativas, conclui: "Acho que no final do mês poupo o suficiente para pagar as aulas de canto à minha neta."

Embora o preço seja factor preferencial em tempos de crise, tal não implica que se descure a qualidade. A Deco fez os testes e defende que a qualidade média das marcas mais baratas é muito próxima da dos produtos mais dispendiosos. Lacticínios, conservas e bebidas alcoólicas foram as categorias que apresentaram melhor qualidade. Mercearia e charcutaria revelaram os piores resultados.

Há certos casos em que o preço não é tudo. Para Laura, este é o caso dos produtos de limpeza da casa. "Há algumas coisas com as quais não nos damos bem", defende, para explicar porque continua a comprar o produto para lavar o fogão mais caro. "Quando experimentei uma marca branca tinha de pôr muito mais quantidade e não limpava tão bem. Acabava por sair mais caro." Mas tal não acontece na maioria dos casos, adverte. Com a sabedoria de quem faz compras conclui: "Em mais de 90% dos casos, compensa comprar a marca branca."

Correr todos os supermercados. Os estudos de mercado apontam que o consumidor poupado move-se de maneira diferente à medida que a crise aperta. Vai mais vezes e a mais supermercados e leva menos coisas no carrinho. Com isto pode aproveitar o que é mais barato num, o que é melhor noutro e as promoções que estão em vigor naquela semana. Talvez por isso o consumidor português é dos mais infiéis da Europa no que toca a supermercados, comprando, em média, em quatro a cinco insígnias diferentes.

A avó Laura compra sempre no mesmo sítio, mas a mãe Maria da Graça é o oposto. Mora, com três filhas, perto de quatro ou cinco supermercados diferentes. E vai a todos. "Gosto do gel de banho de um, do papel higiénico de outro e dos produtos alimentares de outros dois." Os frescos continuam a ser comprados na mercearia. "O meu orçamento vai quase todo para o supermercado e a alimentação. Vou às compras quase dia sim, dia não", confessa.

Tal volume de compras é compensado, mais uma vez, pelas marcas brancas. "Massa, arroz, carne, sobremesas, tostas, queijo, fiambre... compro tudo de marca branca. Até o vinho!" Vinho para cozinhar? "Não, para beber, têm selecções óptimas", responde. Para Maria da Graça, o poder das marcas de distribuição não está só no preço, mas na diversidade de produtos que vieram oferecer. Muitos ainda não existiam nas prateleiras portuguesas. Percebe o sucesso do modelo: "Apareceram de repente e quando a necessidade apertou mais. Claro que iria funcionar."

Poupança A ideia já andava na cabeça há algum tempo, mas só esta semana o fizeram. Pedro, Elisa e Gonçalo têm todos vinte e poucos anos e moram numa casa partilhada com outras quatro pessoas, mas cada um fazia as suas compras separadamente. Até que perceberam que estavam fartos de carregar com quilos de compras pelos cinco andares de escadas do prédio.

Agora, as compras maiores são feitas em conjunto, pela internet. Além de cómodo, é também uma medida de poupança. "Não compramos coisas desnecessárias, porque não nos distraímos pelos corredores", contam. "E ainda comparamos melhor os preços" através do sistema de comparação informático.

No entanto, pela internet só compensam grandes compras, para que não tenha de ser paga uma taxa extra pela entrega. Por isso admitem que não deixam de ir ao supermercado, para outras compras mais pequenas durante a semana. Com orçamentos apertados, sabem que truques usar na hora de controlar a conta de supermercado. "Nunca vás com fome", aconselha Pedro, "acabas por comprar comida a mais só por causa dessa sensação". O melhor é mesmo fazer uma lista, concluem.

Talvez por terem começado nestas lides de supermercado há pouco tempo, nenhum tem pudor em usar todos os produtos de marca branca. Raramente compram alguma coisa que não seja da marca de distribuição. Aqui, chega-se até aos produtos de higiene pessoal: pasta de dentes, detergente, etc. Só há duas coisas em que não conseguem prescindir das marcas: cerveja e Coca-Cola.

in Ionline

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